Fashion Week é como sexo. Com roupa, muuuita roupa.
Além de mais prazerosa, a segunda vez é bem mais fácil. Hoje eu já fui mais segura da minha roupa, sabendo aonde ir, o que fazer. E SEMPRE com carão de tédio, mesmo quando a Sasha Pivovarova, rosto da Prada, cruzou meu caminho.
De tão mais calma, até uma amiguinha eu fiz. Nosso rapport foi todo em volta da sandália que ela estava usando, porque trabalhava no espaço Melissa. Aquela mais básica de todas, a clássica, transparente. Ela reclamando o quanto machucava o seu pé e eu embasbacada com a alegria das pessoas em ganhar uma de brinde. Ela até comentou que estava com vergonha das pessoas que pulavam e gritavam de alegria quando recebiam uma.
Porque sim, precisa de convite – senha na verdade – para entrar no stand da Melissa e você tem que participar de uma espécie de prova para ganhar uma. Ah tá! Que eu ia ficar lá até chegar o número da minha senha, ouvindo o “Bonde do tigrão”, embaixo de uma luz estroboscópica para ganhar aquela Melissa. Oi? Desculpa, eu tenho R$ 20,00 para não passar essa humilhação.
E digo mais, hoje eu assisti ao desfile e não gostei de nada. Eu juro que tentei gostar, mas foi feio, viu? Primeiro que o casting das modelos foi impecável, eram todas um cabide, literalmente. Nunca vi tanta costela na minha vida, nem no Villa’s.
Outro que plissar e drapear é bom, é lindo, quando favorece o corpo da mulher. Desculpa, mas aqueles modelos não ficariam bem em nenhuma mulher, nem nas “37kg” que desfilaram, nem uma mulher que chegou a desenvolver o corpo e tem peito e bunda.
Desfile curto, chato. E a estilista – vejam só – é cheinha. Tava de jeans, camisa preta e perfecto. Faça o que eu digo, mas não o que eu faço, é isso? Juro, não entendi.
Maaaas, quem disse que no Brasil não tem diva? Constanza Pascolato e Glória Kalil me emocionam com a sua elegância effortless. Super quero ser como elas quando crescer.
Marcos Mion estava bem vestido, fotografando antes do desfile da V. Rom, logo que subi para o segundo pavimento. Vi no Ego agora há pouco que perdi Giane por coisa de minutos.
Na saída do desfile, vi Rafael Cortez entrevistando alguém. Morro de medo do CQC me filmar e colocar meleca saindo do meu nariz e deformar meu rosto. E como eu tenho pavor e muita sorte, estava eu descendo as escadas quando Rafael Cortez me tromba, subindo feito um louco para acompanhar a Daniele Winits.
Agora SPFW é aberto, então tinha de tudo. Cada tiazona rachando o táxi (Juro! 5 em um só, fumando um Derby). E Deus me deu esse dom que às vezes vira maldição: Eu enxergo preço. De tudo. Então eu passei muita vergonha alheia, eu digo MUITA.
E além das sapatilhas de R$ 12,99 (que não têm nada demais, mas não dá para usar com um vestido de R$ 5,99), tem aquele pessoal que acha que moda é só ser esquisito. Então tem muita gente que olhou pro guarda-roupa e falou: “acho que essa listra horizontal com esse florido e esse tule ficam ‘fashion’”. Não, meu bem! Fica brega, como ficaria em qualquer lugar. Você não vai trabalhar assim, vai?
E o mais engraçado para mim foram os cabelos. No último SPFW todo mundo que paga de “in” tava de skinny jeans e aquele corte de cabelo igual ao da Madame Mim da MTV. Seis meses depois, vi o preço a se pagar depois que o cabelo cresce: todas de rabo de cavalo. Com mil presilhas. Aquilo quando acorda deve ser uma beleza.
Hoje, tendo em vista que foi o primeiro dia, prestei minha homenagem às tendências do inverno que ainda está para chegar: Vestido curto, animal print no pescoço e bota. Não tive coragem de encarar minha ankle boot, porque o salto é assassino. E salto e rampa não vão bem.
Se a oportunidade tiver, aos clássicos prestarei minha homenagem. Se for ver mais algum desfile, pantalona e pérolas estarei usando.
E por fim, depois de vomitar tanto glamour, admito: sou roots, do gueto. Não agüentei esperar para ver Gisele e Jesus Luz. Voltei para a casa rápido, porque hoje tem jogo do Corinthians e eu não perco por NADA.