Mamãe e papai se conheceram em um jogo do Corinthians. Ambos torcedores fervorosos, apaixonados. Gaviões da Fiel.
Logo, não me foi apresentada nenhuma opção que não fosse ser Corinthiana. Na minha família, é fato, temos apenas UMA pessoa que não torce para o Timão, e costumamos não comentar o fato.
Eu sempre tive muita consciência, que nessas coisas de destino e trá-lá-lá, eu existo porque o Corinthians existe. Mesmo que tivessem sugerido, eu não ia ser capaz de torcer para outro time. Até porque pouco sei sobre meus pais, então ser corinthiana me fazia mais filha deles.
Quando o Corinthians foi rebaixado, me peguei chorando. Nem sabia que ainda me importava tanto com essas coisas. No máximo ver jogo do Brasil e olhe lá.
Futebol me deixa chata, irritada. Então para evitar maiores sofrimentos, não assisto quase nenhum jogo, porque não gosto dessa parte que me foge ao controle. Que grita, chora e abraça a TV.
E aí o meu time contrata o Ronaldo. E eu sou obrigada a engolir essa. Engolir as piadas sobre travecos e gordos. E eu xinguei, ah! como eu xinguei a grana gasta e a empolgação com esse jogador que para mim, já tinha feito tudo o que podia.
Estréia de Ronaldo, contra o Itumbiara, eu ainda estava certa. Esse gordo não tinha sido bom negócio. Aquela molecada correndo e o bolota na "banheira".
Mas a gente esquece, né? Que o cara é o "Fenômeno". Que ele não é rico a toa. Que ele tem essa coisa brasileira que mais ninguém tem no futebol. Sim, dos jogadores de futebol e das modelos brasileiras, muito me ufano.
E hoje, graças ao gol de empate que o gordinho fez - contra o Palmeiras, ainda por cima - tive um momento louco, overwhelming.
Eu chorava, minha avó chorava, meu primo gritava no quarto. E durante alguns minutos, eu tinha certeza que cada uma das pessoas da minha família estavam felizes, em algum lugar.
Nunca me senti tão parte da família. Nunca me senti tão filha dos meus pais. E me vi ali, naquele "bando de loucos". Achando lindo um alambrado caindo, calculando quantas piadas de gordo seriam criadas em função disso, sentindo orgulho desse espírito maloqueiro dos corinthianos.
Hoje foi um dia feliz. Para mim, para o Ronaldo, para toda a Fiel. Engulo todos os despaupérios que disse sobre o Ronaldo. Sou fã, agradeço.
Porque sim, meu time continua invicto há nove meses. E por algum tempo estive em contato com minha mãe e meu pai como jamais estive na vida.
E quando eu tiver um filho, ele vai saber que só existe por causa desse time.
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