Aí você muda de casa e em 90% das vezes em que conta onde está morando recebe um sorriso, olhar ou comentário insinuando que você é “preibói”.
E em 100% desses 90%, engulo o texto que segue, para não perder a amizade:
“Sim, sou rica pra caralho. Eu só acordo cedo todo dia e pego um ônibus lotado por que eu curto usar o uniforme da empresa. Além disso, adoro quando meu chefe está de mau humor e encasqueta que eu sou mágica e consigo arrumar - em três minutos - o telefone do Senador que escreveu um artigo no jornal de Guaratinguetá na quarta-feira.
Sou contra dormir até tarde aos sábados, então levanto para trabalhar em um segundo emprego. E só saio de lá no meio da tarde, porque não sou muito chegada nesse lance de ‘aproveitar o fim de semana’.
Ocupei minhas férias com um terceiro trabalho apenas por acreditar que o trabalho enobrece o homem e o ócio é a oficina do demo.
Meu namorado trabalha até mais tarde para que nós passemos o máximo de tempo separados, para não desgastar a relação.
Sim, estou super bem de vida e me mudei para um apartamento melhor em um bairro tranqüilo não por precisar descansar depois de tanto trabalho. Foi só para mostrar que estou nadando em dinheiro e ver essa sua cara óbvia, indiscreta, insinuando que eu sou rica.
PS: Quer dinheiro emprestado? Eu tenho sobrando!”