11 de setembro de 2008

Eu vou começar a jogar na Mega Sena.

Que diazinho from hell.

Fui para o metrô no horário de sempre. Passa o primeiro trem do metrô muito cheio. Já tenho isso nos meus cálculos. Dá para esperar o próximo que sempre vem vazio.

Quinze minutos depois, a plataforma bombando de gente, chega outro trem LOTADO. Pensei "Caralho, vou me atrasar". Não entrei porque, se aqui estava assim, nas duas próximas estações que entra o triplo de gente sempre, ia ficar impossível respirar.

Mais dez minutos e a mesma coisa. Até tentei entrar, foi impossível. Voltei e sentei na cadeirinha, olhei para o senhor do meu lado e falei: "Nossa, hoje não está dando". Pra que? O outro senhor do lado dele, feliz da vida porque se aposentou e está mudando para Floripa quis começar uma conversa idiota sobre o quanto ele chegou lá e eu e o outro homem ainda íamos ralar muito. Mandei tomar no cú mentalmente, levantei e fui ler meu livro perto de onde o metrô pára.

No quarto trem, pensei, vou ter que encarar, eu já devia estar no trabalho há vinte minutos.

Eis que entrei. Puta que la merda. O trem parava entre as estações coisa de cinco minutos. Um calorzão bombando e cada vez uma explicação diferente. Primeiro estamos esperando o trem da frente manobrar (Tipos, o trem vai fazer baliza?). Depois foi falha técnica. Depois problemas na estação Sumaré.

Aí a cereja do sundae. Quase chegando, parada um pouco antes da estação em que desembarco, a mulherzinha do altofalante diz: "Problemas no trem PAUSA DRAMÁTICA na estação Clínicas já foram resolvidos".

Nisso, devido a pausa dramática sadisticamente colocada, eu já tava tremendo. Em coisa de três segundos eu me imaginei tendo que usar uma saída de emergência e correndo pelo túnel. A moça grávida atrás de mim deve ter pensado a mesma coisa, pq ela quase desmaiou.

Desci do trem puta, saí do metrô horrorizada. Cheguei uma hora atrasada, ainda meio tremendo, mas acho que nessa hora já era de raiva. Meu, what the fuck?

Um dia desses não pode piorar, certo? Certo estaria se eu não precisasse voltar para a casa de metrô, porra!

Na volta foi a mesma merda. Tudo lotado, não dava para entrar. Mandavam uns trens vazios, mas mesmo assim tive que esperar uns quatro para conseguir embarcar.

Quando o trem vinha cheio de gente, os mongos imbecis do caralho que queriam entrar não deixavam as pessoas sairem. Cenas dantescas e minha raiva crescendo.

Entrei. Vejo um senhor bem velho, metade do meu tamanho sem ter onde segurar, se esticando todo para alcançar o balaustre. Aí ele me viu olhando, começou a olhar para mim e apontar com a cabeça para uma mulher que estava no assento de idosos. Eu perguntei se ele queria sentar e ele fez cara de súplica.

Virei para a mulher e pedi para ela levantar. Aquele clima bizarro, ninguém gosta disso e tals. Não é que o velho filho de uma puta vira para ela e fala "Imagina, eu tô bem. Não sei porque essa moça fez isso com você."

Cara, aí já era demais para mim. Respirei fundo, virei pra mulher e falei: "Olha, você me desculpa, mas eu acho que esse velho está louco, porque ele estava fazendo careta olhando para você sentada. Mas acho que ele só queria fazer graça!"

Chegou na próxima estação o trem lotou beyoooooond imagination. Aí o velho quase caiu e eu, no auge da minha filhadaputisse falei "Agora que era bom ter sentado, né?". Só não emendei um "Perdeu preibói", porque mesmo dando vexame no metrô eu prefiro acreditar que sei a hora de parar.

Como se não bastasse - porque sim! Ainda tem mais - faltando uma estação para a minha casa, uminha meu Deus! a voz do capeta anuncia - porque sério, se inferno for tailor made, o meu capeta vai soar como os caras do altofalante do metrô - que esse trem só prestará serviço até essa estação e devemos descer todos e esperar o próximo.

E não é que, mesmo sabendo que TODO MUNDO TEM QUE DESCER neguinho fica te empurrando. Caralho! Tá com pressa para esperar mais um pouco, seu corno?

Desci e ainda esperei dois trens antes de conseguir embarcar, e os neandertais queriam tanto entrar no trem que teve gente que não conseguiu descer. E a porra do metrô nem para ter um sistema inteligente, que deixa a porta mais tempo aberta no caso de idiotas - que não aprenderam que dois corpos não ocupam o mesmo lugar no espaço - estarem tentando embarcar.

Entrei, fiquei encostada na porta. Desembarquei uma hora depois. Subi os três lances de escada rolante e tive que me conter para não fazer o Mel Gibson e gritar FREEEEEEEEEEEEEEEDOOOOOOM quando enxerguei a rua e vi meu prédio, ali a uma quadra de distância.

Enfim, sobrevivi.

5 de setembro de 2008

É doce morrer no mar.

Essa semana fui meu eu lírico. Estou sendo meu eu lírico. Tenho andado legal, reflexiva, um doce.
Tudo culpa do Jorge Amado.
Eu só tinha lido Capitães da Areia há alguns anos. Aí, como esse ano eu acabei lendo a biografia do Paulo Coelho, pensei "Olha como eu gasto 600 páginas. Tenho que ler Jorge Amado porque ele sim deve ser um autor brasileiro foda". (Sim, sou da turma que xinga Paulo Coelho - mas pelo menos li a biografia - e acho ele um puta bunda-mole).
Aí fui na Bienal. E vi que a Cia. Das Letras lançou toda a coleção do Jorge Amado reeditada, bonita que é uma coisa! Comprei um dos mais finos, pra não correr o risco de ler um livro de 500 páginas chato.
PARÊNTESES: As pessoas vão na Bienal, pagam R$ 10,00 para entrar e sabe qual estande fica lotado? O da Saraiva! Tipo, meu filho, você quer comprar na Saraiva, vai no shopping que não paga para entrar!
Mas enfim, acabei comprando um livro do Jorge (sério, fiquei até íntima dele de tão lírica). Comprei Mar Morto. E resolvi levar para ler na minha lua de mel, que foi na Bahia. Eu adoro essas coisas temáticas.
Nos primeiros dias, terminei "Ensaio sobre a Cegueira", que precisa de um post só para ele. E quando acabei o livro, totalmente chocada, estranha, comovida, enojada, sei lá, pensei que nunca um livro sobre saveiros e o mar ia me envolver como o que tinha acabado de ler. Eu estava com vontade de voltar para a primeira página e começar de novo.
PARÊNTESES: Meu mês de leitura foi um absurdo, dois livros bons de Psicologia - "Uma Mente Inquieta" e "Remembering Satan" - e dois livros geniais: "Como me Tornei Estúpido" e "Ensaio sobre a Cegueira".
E vamos combinar, né? "Mar Morto" já virou novela! Uma bela merda por sinal, foi "Porto dos Milagres". A minha imaginação não funciona bem quando já deram rosto para um personagem. Eu travo. Foi assim com a Keira Knightley em Atonement. Eu queria tanto que a Cecilia tivesse outro rosto (James McAvoy , por sua parte, era beeeem melhor do que imaginei pro Robbie). Foi assim com o Marcos Palmeira e a Flavia Alessandra (que eu tenho birra, porque ela faz bico).
Como eu queria que e Livia tivesse outro rosto, que o Guma tivesse o cabelo liso! Pelo menos as músicas todas tiveram melodias minhas. Na verdade, todas tiveram uma melodia, pq oi? Compor não é comigo.
Mas eu não tive como escapar. Primeiro porque eu não desisto de livro a não ser que ele seja muito ruim. Porque livro só ruim, depois da página 20, vira só mais uma história, é assim que eu funciono. E segundo porque esse livro tem um prazerzinho de medir o quanto do que foi escrito foi para a novela.
Li uma boa parte do livro indo para Salvador. Depois de conhecer a cidade e fazer tudo o que os turistas fazem - inclusive visitar a casa de Jorge Amado - estava esperando no ônibus para voltar, em frente ao Mercado Modelo, quando leio um trecho que descreve aquele lugar, aquele cais em frente ao Mercado.
Foi aí que a Flavia Alessandra tomou no cú. Porque agora tudo ali tinha forma, era ali que acontecia. Foda-se o Marcos Palmeira, agora eles tinham o rosto que eu quisesse.
Aí não dava mais para largar o livro. E digo mais, livro comigo tem dessas, depois que eu entro no ritmo dele, não tem quem me segure. E como esse livro é gostoso! Poesia sem métrica! juro!
Quando cheguei em São Paulo faltavam umas vinte páginas. Aí eu começo a desacelerar, sempre que estou gostando do livro. Não quero que ele acabe, então quase não leio. Em duas palavras: sou louca.
Mas uma hora eu ia ter que terminar. E foi no metrô que o final da história me pegou desprevenida, que eu chorei muito (again, sou louca!). Desci da estação outra pessoa! Puta que pariu, meu dia ficou diferente. Queria falar para alguém "Lê esse livro agora, porra"!
Meu marido me estranhou! Muito! Falou que eu estava achando tudo bonito, estava caaaaalma, inspiarada. Coisas belas, né minha gente? Fazem isso com o ser humano. Virei meu eu-lírico e nem notei!
É lógico que no final do dia voltei para casa com outros livros do Jorjão.
Gabriela Cravo e Canela aí vou eu!